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Reforma tributária e a habitação popular: por que o imóvel de entrada tende a pagar menos

O redutor fixo derruba a base do imóvel barato e o interesse social paga só 0,53% no RET. Veja por que a habitação popular ganhou o tratamento mais leve da reforma.

Ighor Ferreira

Ighor Ferreira

2 jul 2026 · 3 min de leitura

A reforma foi apresentada com uma promessa direta ao comprador de baixa renda: não encarecer o acesso à casa própria. Na habitação popular e de interesse social, essa promessa aparece nos menores percentuais de todo o setor imobiliário. O Ministério da Fazenda usa o dado como prova de que o modelo é progressivo, enquanto parte da construção diz que o alívio poderia ir além. O panorama completo está na página principal do especial. Este texto é o espelho do que escrevemos sobre o imóvel de alto padrão, lido pela outra ponta do mercado.

O redutor fixo trabalha a favor do imóvel barato

O redutor social de R$ 100 mil, aquele que quase desaparece no alto padrão, faz aqui o caminho inverso. Numa venda de R$ 250 mil, abater R$ 100 mil derruba a base de cálculo em quase 40% antes mesmo de aplicar a alíquota. Como o desconto é um valor fixo, quanto menor o preço do imóvel, maior o peso proporcional do alívio. É o mesmo mecanismo que pesa contra o luxo, agora trabalhando a favor de quem compra o primeiro imóvel.

Interesse social: os menores números da reforma

A habitação de interesse social, faixa do Minha Casa Minha Vida, recebeu o tratamento mais leve de toda a reforma imobiliária. No regime de transição com patrimônio de afetação, a incorporação de interesse social recolhe 0,53% sobre a receita, contra 2,08% da incorporação comum. No regime geral de venda, esse público entra com os maiores descontos previstos na lei. A intenção declarada é manter o programa habitacional acessível enquanto o novo imposto entra em vigor.

Crédito e padronização jogam a favor

Há um detalhe da obra que também favorece o imóvel popular. No novo modelo, cada nota de material vira crédito para abater imposto, enquanto a folha de obra, não. A construção popular costuma ser mais padronizada e intensiva em material, com projetos repetidos em escala, o que ajuda a aproveitar mais crédito. É o oposto do alto padrão, que concentra custo em acabamento e mão de obra qualificada, a parte que não credita. Na prática, o desenho da não cumulatividade tende a ser mais favorável a quem constrói em volume e padrão.

Governo e setor: o alívio é suficiente?

Aqui também há duas versões. O Ministério da Fazenda projeta que a carga do imóvel popular caia no novo modelo e usa isso como a principal evidência de que a reforma é progressiva. A CBIC, que representa a construção, pondera que mesmo o segmento popular pode sentir aumento dependendo da alíquota de referência, ainda não fixada, e defende descontos maiores para garantir o efeito prometido. Para quem atua na baixa renda, a recomendação é a mesma do resto do setor: simular o caso concreto e acompanhar a regulamentação, sem tomar nenhum dos discursos como número final.

A imobiliária popular vive de volume

O mercado de entrada tem uma característica que define o jogo: volume. São muitos interessados, boa parte na primeira compra e dependendo da aprovação de financiamento. O corretor que atende rápido e qualifica quem de fato tem condição de comprar fecha mais, porque trabalha menos lead frio e mais lead pronto.

É exatamente onde o pré-atendimento com IA rende. A Lais responde no WhatsApp na hora, a qualquer momento, faz as primeiras perguntas de qualificação, como renda, entrada e interesse, e entrega ao corretor só quem está no perfil. Foi o que a Prolar fez ao zerar as queixas de mais de 3.000 leads por mês e liberar o time para converter. No volume da habitação popular, isso é a diferença entre dar conta da demanda e perder venda por demora.

Fontes: Lei Complementar 214/2025 (arts. 259 e 485); nota do Ministério da Fazenda sobre progressividade e habitação popular; alíquota de interesse social no RET na Conjur; simulações de carga por faixa do Tax Group e da CBIC. Valores estimados; a alíquota de referência ainda não foi fixada em lei.

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